Talvez se lembrem do post sobre Nagpur, onde descrevi a cidade como a paragem menos memorável de toda a viagem. Sem querer pôr a carroça à frente dos bois, somos capazes de ter descoberto o oposto de Nagpur. Correndo o risco de soar a review do TripAdvisor, o KumbukRiver Eco Lodge foi a alternativa descoberta pela Ana ao Safari que tínhamos planeado na reserva natural de Yala (parcialmente fechada no mês de Setembro) e para já parece-me que saímos a ganhar com a troca.
Situado na margem do rio Kumbuk oposta à zona de transição da reserva de Yala, o complexo é composto por umas série de habitações únicas mas sempre inspiradas na interacção com a Natureza. Enquanto que nós estamos numa casa na árvore (temos literalmente dois troncos a atravessar-nos o quarto de cima a baixo) a atracção principal é a Elephant Villa, uma estrutura em forma do simpático mamífero trombudo que aloja até oito pessoas. Todas as diferentes habitações foram concebidas pelos fundadores e construídas por habitantes da vila vizinha, sem a ajuda de arquitectos ou engenheiros - uma informação transmitida com um certo orgulho.
O passeio pelo rio numa Paruwa (uma simples jangada usada pelos locais) permitiu-nos conhecer um pouco mais sobre a área e sobre Gamini, o nosso anfitrião. Após explicar que o projecto pretende reabilitar a região, bastante debilitada depois de trinta anos de guerra civil, contou-nos que muitos dos seus empregados perderam entes queridos às mãos dos rebeldes do LTTE, que na fase final da guerra atacaram um autocarro cheio de civis inocentes e ocuparam a reserva de Yala, disparando sobre quem encontrassem pelo caminho. Apesar de eventualmente expulsos pelo exército, a destruição deixada pelos rebeldes ainda se faz sentir nas aldeias vizinhas, razão pela qual Gamini apenas emprega mão-de-obra local e procura usar produtos cultivados nas margens do rio.
O passeio pelo rio Kumbuk foi um dos momentos mais relaxantes e incríveis da viagem até à data, tendo passado metade do tempo a olhar à minha volta e a outra metade a tirar fotografias... Tirando os pássaros e um par de habitantes da vila que tomavam banho no rio (segundo o Gamini, o mais limpo do Sri Lanka), estávamos basicamente sozinhos no meio da selva. Depois de pararmos em estruturas naturais engraçadas, desde árvores Kumbuk caídas ou inclinadas sobre o rio até baloiços naturais formados por lianas, atravessámos a ponte suspensa que dentro de poucas semanas servirá de ponto de partida para um slide até aos nossos aposentos, do outro lado do rio.
Amanhã de manhã sairemos cedo para um passeio pela zona de transição do parque natural, onde se tivermos sorte talvez vejamos elefantes. Segundo o Gamini, estes deslocam-se durante a noite até ao rio à procura de água, uma vez que partes da reserva se encontram em seca, e nos últimos meses têm frequentemente entrado no complexo e saído tranquilamente antes do sol nascer. Mesmo que não haja elefantes, se o passeio de amanhã for como o de hoje já valeu mais do que a pena termos vindo - e até o despertador às seis da manhã...
Beijos e abraços,
Ginete




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