Saturday, 21 October 2017

Dia 78 - Sobrenatural

A relação entre a qualidade do sistema de transportes públicos e o tamanho dos sítios que os mesmos cobrem é normalmente bastante linear. No dia de hoje, o nosso plano era chegar a Koyasan, um dos sítios mais sagrados do Japão mas ainda assim pouco populoso e, por conseguinte, bastante chato de alcançar.


O nosso dia, passado maioritariamente à procura de coisas, começou com uma grande dificuldade em encontrar o sítio onde queríamos tomar o pequeno almoço. Felizmente acabámos num excelente restaurante de hambúrgueres (na nossa última oportunidade para ingerir qualquer coisa não-Japonesa nos próximos dias) que, por se situar no décimo andar de um centro comercial, oferecia uma vista épica das montanhas que rodeiam a cidade de Osaka. O pouco tempo que passámos por cá fez-nos ficar curiosos pelas duas noites que aqui passaremos depois do Kumano Kodo trail - que continua ameaçado pelo tufão Lan, rapidamente a aproximar-se da costa leste do Japão...


O caminho até Koyasan parecia simples após recebermos e despacharmos o nosso almoço em tempo recorde e apanharmos o comboio que o senhor que nos vendeu o bilhete nos tinha indicado. No entanto, a meio do caminho fomos postos fora pela revisora, que claramente não gostou da nossa cara (ou dos nossos bilhetes, vá). Felizmente não éramos os únicos e, ao seguirmos as outras pessoas perdidas e de mochila às costas, lá chegámos ao funicular que nos levaria até ao nosso destino.


À chegada a Koyasan vimo-nos com quinze minutos na mão e bastante fome no estômago, pelo que fizemos uma paragem rápida num café de um casal franco-japonês antes de fazermos o check-in em casa do senhor Takashi. Após dezenas de piadas envolvendo um programa de televisão japonês importado para o Reino Unido, de nome "Takeshi's Castle", seguimos a recomendação do nosso anfitrião e fomos até ao Okunoin - o maior cemitério do Japão, no cimo do qual, segundo a lenda, o monge Kūkai (o primeiro peregrino do Monte Kōya) se encontra em meditação desde 835, à espera da chegada do Buda do futuro.


À chegada ao mausoléu do dito monge, o Pete comentou que normalmente o caminho até um templo é mais impressionante que o templo em si. Apesar de concordar com a ideia, o sítio onde nos encontrávamos distingue-se por fugir à regra. Enquanto que o caminho é uma pequena clareira iluminada por entre um sem fim de túmulos de diversos tamanhos e importância, espalhados pela imponente floresta que só ganha carácter com a chuva que nos tem acompanhado nos últimos dias, é um sítio manifestamente terreno. O mausoléu em si tem um ar decididamente sobrenatural, especialmente ao anoitecer, com pouco mais que os sons da chuva e dos animais que nos rodeavam por companhia. As linhas serenas do edifício e os milhares de pequenas lanternas suspensas à volta das portas fechadas são uma grandiosa imagem mental, que infelizmente não pude transformar em digital, uma vez que o local era sagrado demais para tal.


O passeio de volta à cidade, com as lanternas a iluminarem o caminho molhado e escuro,  foi ainda mais impressionante e um tanto ou quanto mais rápido, provavelmente devido à fome que nos assolava o espírito por esta altura. Depois de passarmos por um restaurante de sashimi que parecia bom mas bastante caro, acabámos num Yakitori de duas velhinhas extremamente fofinhas, que nos encheram o estômago de diversos Yaki (coisas grelhadas), arroz e cerveja.
No fim do jantar percebemos que o "menu especial", que custava 1000 yen e juntava uma cerveja (individualmente 550 yen) e um Yakitori (300 yen) não era um grande negócio para nós, mas à chegada da conta as dificuldades de comunicação e a simpatia das senhoras não nos deixaram grande vontade de apresentar queixa, pelo que voltámos ao castelo do Takashi para uma merecida noite de descanso, não sem antes provarmos o excelente whisky Miyagikyo que escolhemos para nos acompanhar nos próximos dias...

Beijos e abraços,
Ginete

P.S. - Até voltarmos a Osaka estou sem computador, portanto as fotografias terão de esperar. Farei os possíveis para recuperar o tempo perdido com mais celeridade do que da última vez!

Thursday, 19 October 2017

Day 77 - Eerie

For the first time on the Japanese portion of this trip, Pete and I managed to get out of our accommodation before 8am. The plan was to be on the 7.55 ferry back to Uno, grab some breakfast and head towards Hiroshima to make up for the time lost to our crazy Kyoto karaoke night and we followed the script perfectly (for a change).


The arrival to Hiroshima station was fairly uneventful, only made interesting by the signs directing us to the “streetcar”, a designation I had last encountered in the Vivien Leigh and Marlon Brando classic “A Streetcar Named Desire”, with most other places in the World sticking to the word “tram”. A few stops on the relatively crowded carriage and we were at the epicentre of the explosion that, on August 6th 1945, irreparably changed the face of the city, and indirectly the history of the World.


The A-bomb memorial, which consists of the ruins of the Hiroshima Prefectural Exhibition Hall that stood despite being right underneath the epicentre of the detonation, is an eerie and strangely peaceful place despite the large body of visitors that we had for company. A little further along the Memorial Park, the Children’s Peace Monument is inspired by Sadako Sasaki, who survived the blast as a two-year old but later contracted leukaemia as a result of radiation exposure. While in hospital, her roommate told her of the Japanese legend that if you fold one thousand paper cranes you are granted one wish, so she set upon meeting that goal. She died aged twelve after folding 644 cranes, so her classmates folded one thousand more and buried these with her, turning Sadako into a symbol of the innocent victims of the atomic bomb.


The museum is a brutal and deflating experience, as it paints an extremely vivid picture of what can only be described as hell on Earth. The pictures, testimonies and artefacts supplied by survivors leave one wondering how human beings can inflict such pain and suffering onto others like us. The bit that left me with a twist in my stomach was the realisation that the very scientists who developed the technology that made the nuclear strike a possibility urged the US administration to demonstrate their weapon in a deserted location rather than in a populated area. Ultimately, it was the need to justify to the American public the expenditure of two billion dollars in its research and development led to the deployment of nuclear weapons on innocent civilians and, whatever way you look at it, I cannot think of any angle that makes that reasoning even remotely excusable.


A walk into town served to partly recover our spirits before tasting some Hiroshima-style Okonomiyaki (my favourite Japanese dish) and then heading back to the train station. On the way, Pete correctly pointed out that it did not feel like we were in the place where nuclear weapons were first used in anger, mostly due to the fact that the city looks so normal to the untrained eye. To me, it is the rare building that survived the strikes that makes the difference, as they are so few and far between they stand out amongst the huge skyscrapers built after the War.


After another swift bullet train trip we made it to Osaka for the night, without much time to do anything than grab a great dinner at a Yakitori nor far from our hostel, where the host entertained us with a few robot-dances and a round of bingo while we washed down delicious grilled delicacies with sufficient quantities of Japanese beer. Although we will have more time to check the city out when we get back from our Kumano-Kodo hike (which we are a bit nervous about since there is a typhoon warning exactly on the days we are planning on doing it…), it seems like Osaka will live up to our expectations as a lively and bustling metropolis, aiming to rival Tokyo as Japan’s most electric city.

Cheers,
J-Wowww

Dia 76 - Arte

Naoshima tem, desde o início dos anos 80, sofrido uma transformação drástica de pequena e pacata ilha com parcos três milhares de habitantes num gigante museu de arte contemporânea. Desde instalações em casas com mais de duzentos anos até museus construídos de raíz, passando por inúmeras esculturas espalhadas pelas ruas, a ilha vive do seu estatuto de pólo artístico do Japão, o que a torna num sítio singular na nossa volta ao país do sol nascente.


O nosso dia começou com dois pequenos almoços, ambos deveras pequenos - um no nosso Airbnb e outro no único café aberto às 10 da manhã na ilha, onde já na noite anterior tínhamos reparado que tudo abre tarde e fecha cedo. Honmura, a parte da ilha onde o Yoshi nos deixou de manhã, foi o local escolhido para o Art House Project, que desde 1988 convida artistas a tornarem casas vazias espalhadas pela vila em obras de arte. A mais interessante que visitámos, de nome Minamidera, é uma experiência desenhada pelo artista James Turrell que convida os visitantes a entrar numa sala imersa numa quase total escuridão e a ficar sentados durante dez minutos. Lentamente, à medida que  os olhos se vão habituando à ausência de luz, um enorme rectângulo torna-se visível ao fundo da sala, e eventualmente é possível distinguir formas por toda a sala e as silhuetas dos outros visitantes, ao ponto de todos poderem caminhar pela mesma sem qualquer problema.


As restantes seis instalações, ainda que não tão interessantes como Minamidera, foram uma maneira agradável de passar a manhã antes de pararmos para tomar um café num sítio peculiar, que nos pareceu ser uma espécie de parque de campismo interior, onde pessoas podem erguer tendas e dormir em sacos-cama debaixo do tecto de sala ao lado do café. Depois de alugarmos duas bicicletas seguimos para o Museu Benesse, parte de um complexo com um parque e uma praia repletos de esculturas e um hotel com ar de ser bastante menos em conta do que o nosso Airbnb. A obra que mais nos cativou no museu é um conjunto de bandeiras de variados países pintadas em rectângulos de areia interligados, que aquando da sua criação alojaram uma colónia de formigas que ao longo do tempo foram escavando caminhos através das mesmas. O resultado são bandeiras aparentemente fracturadas, algumas das quais ironicamente de países que já não existem.


Outra obra interessante é uma caixa aberta, cuja tampa tem inscritas as palavras “Little Boy” e que revela dois panos com o Artigo 9 da constituição do Japão, escrita pelos Estados Unidos após a guerra enquanto estes detinham o controlo administrativo do país. O artigo em causa renuncia à guerra como instrumento para resolver disputas territoriais e compromete o país a não formar quaisquer forças armadas ou a adquirir qualquer potencial bélico - o que, depois de passar umas semanas no Vietname e no Cambodja, me faz ficar sem saber se me devo rir ou chorar perante tamanha hipocrisia.


Visto que a chuva prevista para o final da tarde chegou adiantada decidimos atravessar a parte mais montanhosa da ilha e voltar ao porto onde tínhamos jantado no dia anterior. Recomendado pela Simran, a nossa companheira de festa em Tokyo, decidimos experimentar os Onsen - uma tradição milenar que junta pessoas do mesmo género em tanques de água bastante quente como Deus as trouxe ao Mundo, de modo a estabelecer uma igualdade social temporária. Apesar de não ter percebido inicialmente que fatos de banho eram proibidos, quando recebi tal informação era já tarde demais para voltar atrás. Pela positiva é refrescante ver que parte do ritual envolve que toda a gente se lave religiosamente antes de entrar nos banhos públicos. Pela negativa, é um calor que não se pode. O único sentimento positivo que retirei da experiência foi à saída, quando deixei de estar no limiar da hipertermia, o que torna a experiência tão agradável como bater com a cabeça numa parede de tijolos só pelo prazer de parar de bater com a cabeça numa parede de tijolos.


Deixamos Naoshima com o sentimento de ter ficado muito por ver, não só na ilha em si como nas que a rodeiam - Teshima, em particular, parece um sítio fascinante com o seu Museu composto por exactamente uma (enorme) obra de arte. De qualquer das maneiras foi uma boa escolha para ocupar os dois dias livres que tínhamos nos nossos planos. Ao jantar, que cozinhámos em conjunto com o Yoshi e com a família espanhola, a filha de cinco anos da mesma entreteve a sala inteira com uma sequência interminável de estórias, a maioria das quais não muito lisonjeiras para com o pai. Um casal de argentinos substituiu o britânico da noite anterior e todos partilhámos o jantar delicioso enquanto nos ríamos da Aruna (que fala quatro línguas, uma delas inventada pela própria) a gozar com o pai pela maneira como este diz a palavra “scribblings”… Miúdos que praticamente nascem a saber falar três línguas sempre me deixaram com uma pequena dose de inveja, mas os que para além disso têm o dom de fazer uma sala cheia de adultos rir durante hora e meia deixam-me a ponderar o que é que tenho andado a fazer nos últimos vinte e oito anos…

Beijos e abraços,
Ginete

Day 75 - Torii

If our 7am wake up time was ambitious to start with, getting home two hours prior to that made it an impossibility. As a result, we decided to delay our plans to visit Hiroshima until after our trip to Naoshima and spend the morning in Kyoto, before heading to the artsiest island in Japan. Feeling surprisingly fresh due to a rare “phantom hangover”, we grabbed another excellent breakfast at the Apprivoiser cafe before heading to the Fushimi-Inari temples, which Michelle had told us we had to visit before we left.


The hilly trek through the thousands of red torii, each donated by a Japanese business towards Inari (the god of rice), was refreshing and just about challenging enough to get our legs warmed up for the Kumano Kodo trail, which we will partly tackle in about a week’s time. The different shrines and temples (which we have started referring to as “shremples” to avoid the need to differentiate the two) were actually quite similar and, as we were starting to worry about our logistically complicated trip to Naoshima, we stuck to the one at the top of the mountain and breezed past the others.


The bullet train from Kyoto to Okayama was absolutely rapid, sticking to a speed of 199kph for the majority of the way while Pete and I played estimation whist, a card game that would later become very popular amongst the guests at our Airbnb for the night. After arriving in Okayama, we quickly transferred across on to a bus to the Uno port and about ten minutes after arriving there we were on a ferry to Naoshima. Despite the quick transfers we still missed our rendezvous with Yoshio, our Airbnb host who also acted as the boatman that was going to ferry us across to the smaller island of Mukaejima, a few hundred metres east of Naoshima. As he asked us to grab dinner in the main island and then meet him at 9pm we did so at a very cool American-themed diner before catching the bus to meet him.


The Airbnb we are staying at was one of the few options still available when we decided to attempt a last-minute trip to Naoshima, and we mostly decided to book it because we were too amused by the description to pass up on the opportunity to stay there - our favourite bit is the warning that “the house is not clean because old”, which has led us to start using the justification “because old” for pretty much anything that comes our way. As it turns out, and in comparison with most other places I have stayed at on this trip, the house is clean and modern enough for our standards and we spent a pleasant evening in the common room, surrounded by art books and Japanese movie posters and playing estimation whist with our fellow guests - a Spanish family who lives in Singapore and two middle-aged Brits. Russell ran away with the win following the zero-trick strategy, which is built on the principle that it is easier to throw a good hand than to win a bad one. I guess you cannot replace a good dose of experience…

Cheers,
J-Wowww

Dia 74 - Bambu

O relógio biológico do Pete aterrou finalmente no Japão, o que nos levou a sair de casa apenas ligeiramente mais cedo do que no dia anterior, mas ainda assim determinados a maximizar o nosso último dia em Kyoto. O que era para ser uma breve paragem na impressionante estação central de comboios acabou por demorar o seu tempo, visto que a dimensão do edifício e as linhas aparentemente infinitas nos deixaram especados a olhar para o tecto durante uma boa meia hora. Após um pequeno almoço rápido seguimos para o comboio que nos levaria até à estação de Arashiyama.


Seguindo as outras pessoas com ar de turista facilmente caminhámos da estação de Arashiyama à floresta de bambu, um sítio único onde apesar dos inúmeros visitantes é impossível não nos sentirmos imersos num mar de longos e delgados troncos verdes. A chuva que nos acompanhava desde manhã, apesar de persistente e irritante, não nos fez arrepender da viagem até aos arredores de Kyoto mas deixou-me decididamente encharcado da cabeça aos pés. Apesar disso nunca tive o mínimo de vontade de me vir embora, já que o curto passeio pela floresta foi a maneira perfeita de desenjoar da montanha de templos que Kyoto nos tinha oferecido no dia anterior.


No fim da floresta, o guia Lonely Planet do Pete (ferramenta essencial para o planeamento desta parte da viagem até agora) recomendava a visita ao Okochi Sanso, a antiga casa de um famoso actor japonês do início do século XX, que fez do desenho e construção destes jardins uma ambição de vida após sobreviver ao grande terramoto de Tóquio, em 1923. O resultado é provavelmente  o sítio mais tradicionalmente japonês que vimos até agora, uma espécie de versão sobrenatural dos jardins da Gulbenkian, rodeados por montanhas e templos, cuja vista ocasionalmente nos deixava ainda mais impressionados do que já estávamos. No fim da visita fomos até à sala de chá, onde nos foi servido chá verde (que mais parecia sopa de espinafres) e um bolo que nenhum de nós percebeu se tínhamos desembrulhado como deve ser ou não. Foi aí que conhecemos a Michelle, uma americana a viajar sozinha que nos acompanharia durante o resto do dia.


Depois de regressarmos à estação de comboio pela floresta de bambu (para nos despedirmos convenientemente) fomos até ao Kinkaku-ji, um templo Zen dourado construído à beira de um lago e  reconstruído em 1955 depois de um jovem monge esquizofrénico lhe ter pegado fogo cinco anos antes por estar obcecado com o mesmo. Cheios de fome e sem querer sair de Kyoto sem experimentarmos tempura, supostamente a especialidade local, voltámos para o centro de Kyoto e acabámos num restaurante que tinha pouco ar de ser frequentado por clientes envergando uma camisola encharcada da Selecção Nacional de futebol. Depois de nos assustarmos com os preços do menu de jantar a senhora incrivelmente simpática deixou-nos escolher opções do menu de almoço, que por alguma razão era bastante mais razoável. Não sendo a refeição mais volumosa que tivemos até agora, foi sem dúvida agradável e a simpatia de toda a gente que nos recebeu  chegou e sobrou para voltarmos ao hostel satisfeitos.


Uma sesta e uma sessão de lavandaria fez-nos chegar atrasados ao Bar Ki, onde tínhamos combinado encontrar-nos com a Michelle para a nossa primeira sessão de Karaoke no Japão. Ao chegarmos, deparamo-nos com um pequeno bar gerido por um Australiano e um Canadiano, cujos clientes formavam um grupo engraçado que misturava Japoneses, Suíços e Americanos à lista de nacionalidades. Daí a pouco tempo estávamos no terceiro andar a “cantar” tudo e mais alguma coisa, desde Beatles a Bieber, com o ponto alto a ser a versão de “Hit Me Baby One More Time” com que o Michael (um arquitecto americano que vive no Alaska) nos prendou, que poderia ser facilmente confundida com uma cover do mesmo tema por uma banda de death metal.


A noite não acabou aí, com o bar inteiro a transferir a festa para um “standing bar” onde recrutámos mais companhia antes de irmos para o World Kyoto, uma discoteca surpreendentemente concorrida para uma Segunda-Feira à noite onde fomos recebidos pelo omnipresente Despacito, que miraculosamente tinha conseguido evitar desde o Cambodja. Tenho a dizer que tinha tantas saudades da voz electronicamente modificada do Luis Fonsi como dos mosquitos a devorar-me as canelas ao pôr-do-sol, e tenho que agradecer ao DJ deste estabelecimento por a ter re-introduzido na minha vida.

Beijos e abraços,
Ginete

Monday, 16 October 2017

Day 73 - Ancient

If Tokyo is a hyperactive, frantic and fascinating metropolis, Kyoto is its traditional, reserved and sensible older sister. While still very much a modern city in its own right, its back alleys offer a vision of traditional Japan that was hard to find even in the less touristy parts of the capital.


My day started about three hours after Pete’s, who is currently fighting a serious bout of jet lag, which made him wake up around 7am while I slept deeply until eleven. After an outstanding breakfast nearby (probably the best granola I have ever had in my lifetime) we headed towards the first part of our Kyoto Temple Tour. Our first stop was Kiyomizu-dera, a large shrine which provided the typical ambience of a Japanese buddhist temple with the added bonus of exceptional views over downtown Kyoto.


After leading Pete down a path to a hilltop temple, which happened to be closed today, we resumed our trail about an hour behind schedule, meaning most of the places left on our list were closed by the time we get to them. In any case, we still got to appreciate them from the outside while escaping most of the crowds (composed of both The-North-Face-clad-Western and Kimono-wearing-Japanese contributors in roughly equal parts) that engulfed our first stop. For the most part, the persistent rain fitted my expectation of what the scenery would be like in this part of the World, as my idea of the country always featured a surrounding of bustling forests around the concrete jungles of the big cities.


Pete’s early rising required an afternoon nap to keep the levels of energy on a high, and in the meantime I quickly wandered over to the Nishiki Market (which Pete had checked out in the morning) just as most stalls were closing. Once I got back and took a power nap of my own, we headed towards a delightful Gyoza house and then to a craft beer bar, where the conversation eventually headed to my favourite question (“If you knew you were to live a hundred years and got to pick a time and a place to be born, when and where would it be?”) and ultimately led me to learn some pretty cool facts about Pete’s ancestors. A pit-stop at another craft beer place and at a 7-Eleven on the way home does not bode well for tomorrow’s planned early start, but using Pete’s jet lag as an alarm clock it may well be that I will not have a choice.

Cheers,
J-Wowww