Saturday, 5 August 2017

Dia 2 - Caos

Apesar de ter tentado chegar sem expectativas, imaginava Nova Deli como uma versão mais caótica do que me lembro de Marrocos. É mais ou menos isso, com a diferença de que as pessoas simpáticas são muito simpáticas (já as pessoas chatas são tão chatas como os Marroquinos).



Para começar, o caminho do Aeroporto para o hostel foi um pouco mais atribulado do que estava à espera, uma vez que o Uber funciona de uma maneira um pouco diferente do resto do Mundo - em vez de o condutor encontrar o cliente, o cliente tem de encontrar o condutor. Até aqui tudo bem, não fosse o facto de as  estradas de acesso às partidas e chegadas do Aeroporto Indira Gandhi serem uma em cima da outra, levando o cliente (eu, vá) a perder meia hora a procurar um Suzuki Wagon R que estava, de facto, vinte metros acima da sua cabeça.
Quando finalmente descobri um Uber que me trouxesse a casa, a condução do senhor respeitava tantas regras de trânsito que demorei cerca de vinte minutos a perceber que aqui se conduz à esquerda. A buzina é usada como alternativa aos travões (mesmo às quatro da manhã), e o exercício de atravessar a estrada é um pouco como era andar na rotunda do Marquês no tempo em que esta ainda tinha seis faixas - fechar os olhos e rezar para que cheguemos ao outro lado inteiros.
Toda esta experiência adquiriu todo um outro nível na manhã seguinte, já que depois de o Ben chegar tivemos de ir ter ao escritório da tia de um amigo meu que, amavelmente, tinha tratado dos nossos bilhetes de comboio para o resto da viagem. Após meia hora às voltas no sítio onde o Google Maps insistia ser o dito escritório, veio um senhor buscar-nos numa scooter. A viagem que se seguiu até acabou bem, mas podia facilmente ter acabado com múltiplas fracturas expostas em diversas partes dos nossos corpos, dado o número de vezes que quase batemos noutro veículo. No fim toda a gente foi incrivelmente simpática e fomos recebidos por perfeitos estranhos com enormes sorrisos de orelha a orelha.


Adquiridos os bilhetes aproveitámos o facto de o escritório ser perto do Lal Qila (ou Red Fort) e fomos dar uma vista de olhos. Por fora, o Red Fort pareceu-nos pouco mais que um forte vermelho, mas felizmente decidimos entrar e percebemos que era um bocadinho mais do que isso. Mais do que os diversos edifícios, todos com diferentes estilos e cores, a História que sobrevive entre as paredes vermelhas do Lal Qila é tão rica e fascinante como a história do próprio país, o que é demonstrado pelo facto de as celebrações anuais da independência da Índia acontecerem lá mesmo daqui a pouco mais de uma semana. Infelizmente ainda não sou propriamente especialista na história da Índia, mas assim que isso acontecer tentarei elevar o nível deste blogue com comentários informados sobre o assunto (tentando, ao mesmo tempo, não ofender os meus amigos bifes…).


Todo um dia a andar, a suar (trinta e três graus bastante húmidos!) e sem almoçar deixou-nos com uma certa fome, que foi saciada em Connaught Place, uma das praças mais movimentadas da cidade. Agora, sem mais que escrever e sobretudo com muito soninho dado a hora absurda a que cheguei ao hostel ontem à noite, despeço-me com amizade até amanhã.

Beijos e abraços,
Ginete

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