Wednesday, 6 September 2017

Dia 32 - Odisseia

A viagem de Alleppey até Munnar não foi tão atribulada quando temia. É certo que demorou o seu tempo e que tive de aprender a arriscar a pele para ultrapassar rickshaws perdidos no meio das montanhas, mas quando o nosso Suzuki Swift não estava preso atrás de um autocarro até teve piada conduzi-lo pelas sinuosas estradas Keralianas (juro-vos que isto é uma palavra). Mal sabia eu o que nos esperava na segunda parte da odisseia de hoje, mas lá chegaremos.


À chegada a Munnar fomos recebidos, claro está, por uma valente carga de água. Abrigados numa padaria a beber Masala Chai, decidimos começar por visitar a fábrica de chá da Lockhart, que há cento e sessenta anos produz chá a partir de colheitas das plantações locais. Ao passarmos pela estrada que dá acesso à fábrica sem reparar que esta existia acabámos por nos perder na paisagem que nos rodeava, vendo-nos obrigados a parar várias vezes no caminho porque a vista era boa demais para ser ignorada.


Quando eventualmente chegámos à fábrica percebemos que esta se encontrava fechada devido ao festival de Onam, tendo de nos contentar com um passeio à volta da mesma e com o que eles chamavam "museu da plantação". Este último é a exposição mais bizarra que já presenciei, com objectos que nada têm a ver com a colheita de chá (como uma âncora ou uma máquina de Raios-X) e descrições que iam do absurdo (as que explicavam o que é um tijolo ou um telefone) ao febril (as que pareciam ter sido produzidas com uma versão experimental do Google Translate, há uma década). O ponto alto da visita à fábrica acabaram por ser as três chávenas de chá e as duas fatias de bolo de cenoura que ingerimos antes de seguir viagem.


O Echo Point é uma plataforma natural na margem do reservatório criado pela barragem de Mattupetty, a partir do qual (como o nome indica) nos é devolvido o que quer que gritemos na direcção das montanhas. Na verdade, este é apenas mais um exemplo da beleza natural absurda do estado de Kerala, desta vez em terrenos mais montanhosos cobertos por plantações de chá até perder de vista. Não estando propriamente ansioso por voltar, fico com a sensação de que vimos Munnar a duzentos à hora, e que ainda assim ainda ficou muito por ver.


A viagem de Munnar até Thekkady foi uma das experiências mais aterradoras que já passei ao volante de um veículo de quatro rodas. A combinação de chuva torrencial e nevoeiro cerrado com estradas semi-destruídas ("barely a road", como dizia a minha co-piloto) e condutores que se recusavam a desligar os máximos independentemente de terem alguém à frente ou no sentido contrário, fizeram com que este caminho de três horas parecesse durar três dias. Nos momentos em que todos os factores acima se combinavam garanto-vos que não via mais do que o capot do nosso carro, o que tornava o desafio de evitar colidir com um autocarro vindo no sentido contrário em todo um exercício de telepatia para o qual eu não estou habilitado por não ser um Mestre Jedi. Não sei ao certo como chegámos a Thekkady doridos e cansados mas vivos, mas creio que devo agradecimentos a meia dúzia de santos...

Beijos e abraços,
Ginete

P.S. - É oficial, o meu MacBook Air faleceu. Paz à sua alma. No que diz respeito a este blogue, isto significa que não publicarei fotografias esta semana (serão adicionadas assim que chegar a Singapura e connseguir resolver o problema) e que o standard de escrita e ortografia vai ser ainda mais fraquinho do que de costume. Se notarem algum erro, por pequeno que seja, por favor avisem, uma vez que provavelmente conseguem ler este texto melhor do que eu...

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