Monday, 14 August 2017

Dia 10 - Ouro

Depois da cidade cor-de-rosa, a cidade dourada de Jaisalmer completa a parte mais turística da secção indiana desta viagem. Confesso que sempre estive mais entusiasmado pelo que se segue, mas ainda assim foi uma primeira semana interessante e não tão pejada de turistas quanto temia. Ao mesmo tempo, Jaisalmer surpreendeu-nos por ter tantos ou mais estrangeiros do que Jaipur apesar de ser menos famosa e, na nossa opinião, menos engraçada.


A ideia de nos levantarmos às cinco da manhã para ver o pôr-do-sol não se concretizou, já que o Ben teve uma reacção alérgica ao despertador e se virou para o outro lado, continuando a dormir até às seis e meia. Aí prosseguimos com o plano de ir dar uma volta ao lago Gadisar, a essa hora ainda pacífico mas pouco depois invadido por gado bovino em grande quantidade - Jaisalmer fica apenas atrás de Varanasi em termos de densidade de vacas por metro quadrado entre as cidades que já visitámos.


Depois de nos terem dito que vinte e quatro horas não chegavam para ver a cidade decidimos fazer-nos ao caminho cedo para tentar minimizar o problema. Depois de hora e meia às voltas pelo forte, engraçado mas bastante turístico, e de mais uma hora a visitar dois Havelis (mansões do século XVIII, construídas por burgueses fora das paredes do forte) acabámos por achar que vinte e quatro horas chegavam e sobravam. Não que a cidade não tenha piada - quase toda ela construída em arenito e em tons dourados que não destoam da paisagem deserta à sua volta (pelo menos fora da época das monções…) - simplesmente não tem assim tanto para ver. Mais um dia talvez nos tivesse dado uma ideia melhor do “feel” do sítio ou permitido dormir no deserto mas, tendo em conta que ontem voltámos depois de jantar transformados em dois panados da cabeça aos pés, acho que ficámos melhor assim.

O ponto alto da cidade foi o Patwa Haveli, conjunto de cinco mansões construído por um importante banqueiro do século XVIII para os cinco filhos, ignorando o conselho de um religioso que o preveniu de que os seus negócios não seriam bem sucedidos enquanto permanecesse em Jaisalmer. Apesar de a história ter dado razão ao senhor padre, o resultado é de um detalhe deslumbrante do primeiro ao quarto e último andar, onde a vista do forte nos fez ficar ao sol tempo suficiente para apanharmos um ligeiro escaldão.


As dezoito horas de comboio de volta a Delhi servirão, se tudo correr bem, para pôr o sono e a leitura em dia. Felizmente sem catraias histéricas na nossa carruagem (que já dorme profundamente às dez e meia da noite) e com camas ligeiramente mais confortáveis, esta é também a nossa última viagem de comboio nocturna na Índia (eu farei mais uma com a minha irmã, de Goa a Kerala).


A minha opinião sobre os comboios Indianos, apesar de tudo, mantém-se: sendo verdade que que podíamos ter poupado tempo a andar de avião, andar de comboio permitiu-nos ver e compreender um bocadinho melhor o que se passa entre estações. A classe AC2 é onde temos feito todas as viagens até agora, mas os nossos amigos holandeses já tinham experimentado a AC1, Primeira Classe, AC3 e Sleeper (carruagens sem ar condicionado que, de fora, parecem estar a abarrotar de gente). Depois de nos contarem a história da viagem de vinte e quatro horas na Sleeper Class, que descreveram como tentar dormir no meio de um mercado, concordaram que a AC2 é um bom compromisso entre conforto, preço e autenticidade. Como tal, recomenda-se para quem estiver a planear uma viagem para estes lados!

Beijos e abraços,
Ginete

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