Wednesday, 23 August 2017

Dia 20 - Chuva

A primeira reacção de quem sabe qualquer coisa sobre a Índia aos meus planos para esta viagem tem sido sempre a mesma: “Mas isso é a época das monções!” Até hoje, esse comentário tinha sido claramente exagerado pois, apesar de termos apanhado chuvinha aqui e ali, nunca foi nada de especial. Já hoje caiu água a sério.


Sair de casa relativamente cedo foi, portanto, boa ideia. Conseguimos dar uma vista de olhos ao Jal Mahal e ao Amber Fort, o primeiro claramente mais engraçado antes do meio dia e o segundo menos interessante coberto de nuvens carregadas a anunciar o que estava para vir. Enquanto estávamos felizes e contentes a explorar as latrinas do palácio de Inverno do Marajá, um dos guardas explicou-nos como funcionava o sistema de abastecimento de águas do forte. Daí a meia hora, e sem nos darmos conta, estava a abrir mão de cento e cinquenta rupees visto que o senhor guarda era, afinal, guia turístico nas horas vagas. Para ser sincero, a visita foi mais interessante do que a primeira (onde fui acompanhado por um audio-guide pejado de estórias que não interessavam a ninguém), e foi a menção de um túnel a ligar o Amber Fort ao Jaigarh Fort que nos fez explorar esse caminho e conhecer o outro lado do vale que eu e o Ben tínhamos subido quinze dias antes.


Infelizmente, quando chegámos à entrada do Jaigarh Fort percebemos que só possuíamos cem rupees, enquanto que a entrada para os dois eram cento e sessenta. A tentativa de convencer o senhor da bilheteira a aceitar um Euro em vez dos sessenta rupees em falta acabou com o dito a pedir-me a nota de cinco Euros (cerca de trezentos e oitenta rupees) que tinha na carteira, ao que eu respondi que ele podia ir para um sítio que não posso descrever nestas linhas por este ser um blogue de família. Posto isto voltámos a encontrar-nos com o Muneem, e após uns minutos de caminho desceu sobre nós um dilúvio de proporções bíblicas. Em minutos as ruas passaram de escorregadias a alagadas, ao ponto de crianças brincarem nas enormes poças de água que surgiam à beira da estrada. Pessoas a tomar banho à chuva, outras abrigadas em paragens de autocarro e outras ainda resignadas ao facto de que iam acabar completamente encharcadas quer quisessem quer não fizeram-nos sentir relativamente sortudos por só estarmos ligeiramente molhados. Isto até chegarmos ao nosso hotel, onde encontrámos um quarto semi-inundado (obviamente a metade em cujo chão a minha mochila estava pousada) que rapidamente passou a completamente alagado…


Após uma rápida troca de quartos e um interregno de uma hora e pouco à espera que as minhas roupas secassem (todas as outras estavam a lavar, visto que o serviço de lavandaria deste hotel é absurdamente barato) voltámos ao alfaiate onde o Ben tinha comprado as suas camisas de linho e eu um par de calças que se desfizeram após exactamente uma utilização. O senhor não se mostrou interessado em devolver-me os quinhentos rupees que eu tinha pago por elas, mas pelo menos fez-nos um desconto quase equivalente num saree para a nossa mãe, que nós esperamos que a deixe satisfeita, já que o vamos andar a carregar às costas durante as próximas três semanas. Sem pressão, mãezinha!

Beijos e abraços,
Ginete

1 comment: