Várias pessoas aconselharam-me a alugar scooters para explorar Goa, um estado conhecido pelas suas praias verdes e paisagem tropical. Dois traseiros doridos e uma dúzia de arranhões adquiridos em trinta e seis horas fazem-nos discordar dessa ideia. Para além da já discutida relação complicada entre os indianos e as regras de trânsito (origem dos arranhões), os sítios que visitámos até agora são todos bastante longe uns dos outros, o que hoje nos fez chegar ao fim do dia a sentir que o passámos maioritariamente sentados numa scooter (a adquirir dois traseiros doridos).
Dado que o tempo estava com bom ar de manhã decidimos avançar com o nosso plano de explorar as praias do Sul de Goa durante o dia de hoje. A caminho da primeira, Palolem, passámos pelos mesmos polícias de ontem, que apesar de ao início nos mandarem parar rapidamente me reconheceram e simplesmente sorriram e gritaram “Portugal, Portugal, Portugal”, o que eu interpretei como permissão para seguir… Pouco depois ouvi alguém gritar “Hey! Remember?” da janela aberta de um carro que nos ultrapassava, e apesar de não o reconhecer imediatamente por só o ver pelo canto do olho eventualmente percebi que era o senhor que me tinha dado inúmeros conselhos sobre Goa dez dias antes, enquanto esperávamos pelos nossos respectivos voos no aeroporto de Leh. Depois de dois dedos de conversa na berma da estrada, enquanto camiões e autocarros passavam por nós a uma certa velocidade, seguimos caminho com a sensação de que encontrar um estranho duas vezes nos dois extremos de um país com mais de mil e duzentos milhões de habitantes é bastante improvável. Se estão à espera que eu me renda ao cliché e diga que o Mundo é pequeno, bem que se podem sentar para não cansarem as pernas!
À chegada a Palolem fomos recebidos por senhoras a tentarem vender bijutaria à Ana e, pouco depois, por uma valente mas breve carga de água. Descrita como uma das mais calmas e bonitas praias em Goa, acabou por ser um sítio simpático para passar umas horas que mas não nos deixou propriamente boquiabertos. Com areia fina e barcos alinhados debaixo de palmeiras, um deles a ostentar uma bandeira portuguesa (apesar de invertida…), Palolem foi outra oportunidade para dar umas braçadas e quebrar as teias de aranha que já se começavam a acumular nos meus ombros. Talvez seja este o dia em que me arrependo de gozar com um amigo por ter tomado a vacina da Cólera, que oferece uns míseros 60% de imunidade para uma doença com uma taxa de mortalidade de 5%. Depois de a ter descrito como “um desperdício de sessenta libras” era perfeito demais passar os próximos dias agarrado ao tampo de uma sanita…
Depois de uma tentativa falhada de encontrar a praia de Agonda, também altamente recomendada, acabámos por sempre ir a Colva depois da mudança de planos no dia anterior. Ao contrário de Palolem, esta estava cheia de locais que se divertiam a chapinhar na água, a beber uma cerveja ou simplesmente a ver o sol esconder-se atrás das nuvens que se estendiam sobre o horizonte. Apesar de as praias em si não terem sido do outro Mundo, o caminho entre elas foi novamente pitoresco, com capelinhas e casas coloridas alternando com campos cultivados em vários tons de verde. Juntando a tentação de olhar à minha volta ao caos das estradas locais, ficamos felizes por nos encontrarmos os dois mais ou menos inteiros e em segurança no nosso quarto de hotel. Se sobrevivermos mais vinte e quatro horas a usar este meio de transporte, acho que sobrevivemos a tudo.
Beijos e abraços,
Ginete



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