As piores monções em Mumbai desde 2005 (onde morreram mais de quinhentas pessoas) tiveram um começo não muito diferente do dia anterior. Enquanto tomávamos o pequeno almoço eu estava sentado de costas para a janela, e cada vez que me virava a intensidade da chuva era maior. A certo ponto abrandou, e aí aventuramo-nos a fomos até à Gateway of India tentar apanhar o ferry para Elephanta, uma ilha com grutas esculpidas algures entre o século 5 e 8 depois de Cristo, mas fomos informados que esta se encontrava fechada devido ao mau tempo. Como alternativa apanhámos um Uber até à Mani Bhavan, casa onde Mahatma Gandhi ficava nas suas estadias em Mumbai e onde se deram vários momentos marcantes da história da independência da Índia, como
a sua prisão em 1932. Apesar de ter sido uma paragem de recurso, a visita acabou por ser interessante e ficámos a conhecer um pouco mais da vida de alguém que, sem nunca atirar sequer uma pedra, conseguiu mudar o Mundo.
Só à saída nos apercebemos da dimensão do problema lá fora, quando tentámos apanhar um táxi para o hotel e nenhum parecia com grande vontade de nos levar. Depois de esperarmos vinte minutos por um Uber lá nos pusemos a caminho, que em condições normais teria demorado pouco mais de vinte minutos. Depois de andarmos às voltas por ruas completamente alagadas e outras que seriam melhor descritas como pequenos lagos, ficámos cerca de meia hora presos num engarrafamento na direcção oposta à do nosso hotel. Não sei muito bem como é que o senhor acabou naquela situação, mas depois de fazer toda uma inversão de marcha a situação não melhorou. Numa hora andámos pouco mais de um quilómetro, e acabámos por acabar o caminho a pé depois de estarmos meia hora parados exactamente no mesmo sítio. Do condutor do nosso Uber não há notícias, mas se fosse forçado a especular diria que ainda deve estar no sítio onde nos deixou.
À falta de experiências interessantes para relatar, creio que é altura de dedicar algumas linhas a um fenómeno que temos vindo a observar por estes lados - o “sim” Indiano. Ora o “sim” Indiano é a maneira como os locais dizem que sim com a cabeça, que por alguma razão que escapa a toda a gente com quem já falei sobre isto (desde historiadores a antropólogos) é diferente da do resto do Mundo. Enquanto que todos os povos que conheço usam um simples movimento vertical da cabeça para dizer que sim, o “sim” Indiano é mais ou menos assim:
Pois. A primeira vez que alguém utilizou este gesto na minha presença, pus duas hipóteses - a de a pessoa estar a dizer “talvez” ou “nem por isso”. Nunca me passou pela cabeça que aquilo fosse um “sim” até pedir à senhora que clarificasse. Até hoje, depois de três semanas disto, tenho dificuldades em perceber se as pessoas estão a dizer sim ou não, uma vez que grande parte das pessoas nem faz o gesto completo (porque obviamente dá muito trabalho). Fiquem avisados, caros leitores - não sei quantas guerras já principiaram por Indianos e estrangeiros confundirem o “sim” com o “não” ou o “talvez”, mas pelo sim pelo não convém confirmar antes de tomarem decisões importantes. Depois não digam que não foram avisados.
Beijos e abraços,
Ginete




😂 muito bom! Avisada ;))
ReplyDeleteEntretanto, a Ana está óptima. Parabéns à artista! 😂
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