Saturday, 2 September 2017

Dia 30 - Redes

O nosso último comboio Indiano decidiu despedir-se com duas horas e meia de atraso à chegada, deixando a plataforma cheia de gente sentada ou deitada onde houvesse espaço - em salas de espera, cadeiras ou simplesmente no chão. A sala de espera para a classe AC estava cheia, mas depois de aguardar uns minutos e de aliviar a minha carteira de cem rupis lá nos sentámos num sofá relativamente confortável. A viagem em si, que começou lá para a uma e meia da manhã, correu sem percalços e acabámos por só chegar meia hora atrasados a Kochi, o que fez com que basicamente passássemos a viagem quase inteira a dormir tão tranquilamente quanto possível.


Depois de tratadas as burocracias associadas ao carro que alugámos para esta parte da viagem seguimos até à nossa pousada, onde nos encontrámos com a nossa amiga de Delhi que se colou aos nossos planos por ter um impressionante excedente de dias de férias nesta altura do ano. O caminho, que durou pouco mais de vinte minutos, foi provavelmente a mais enervante experiência de condução de que tenho memória (incluindo os últimos três dias de scooter). Enquanto que em duas rodas éramos nós a navegar um labirinto de carros, dentro de um carro estamos constantemente envoltos num mar de veículos mais pequenos que nós, aparentemente a fazer os possíveis para falecerem de forma lenta e dolorosa. Apesar de obviamente me sentir mais seguro dentro de um carro, não é agradável passar o dia a sentir que estou prestes a matar alguém. O facto de os piscas serem do lado errado do volante, fazendo com que ligue o limpa-pára-brisas de cada vez que quero virar à esquerda ou à direita, não ajuda…


De Kochi só ficámos a conhecer a zona do Forte, que hoje estava bastante concorrida devido ao festival Hindu de Onam e ao Eid muçulmano. As várias igrejas católicas e a praça Vaso da Gama (que foi inicialmente aqui sepultado, na catedral de São Francisco, antes de ser trasladado para os Jerónimos) mostram que, apesar da conquista Holandesa em 1683 do território outrora oferecido a Afonso de Albuquerque, a presença Portuguesa ainda deixou algumas marcas. O passeio marítimo que segue os limites do antigo forte (destruído pelos Holandeses) está hoje repleto de vendedores de tudo e mais alguma coisa, desde água de côco e gelados até máquinas de costura manuais (não me perguntem o que são, mas foi-me oferecida uma).


A parte mais engraçada são as gigantes redes de pesca, operadas por cinco homens com a ajuda de um contrapeso a cada cinco minutos, com o resultado a ser vendido quase imediatamente a quem aparecer primeiro. Apesar de aparentemente só estar uma em funcionamento, as restantes serviram de objectos para bonitos retratos ao pôr-do-sol, após o qual Kochi basicamente fecha até à manhã seguinte.



Beijos e abraços,
Ginete

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