Como um bónus, o atraso de manhã permitiu-me encontrar uma porta aberta entre duas carruagens, perfeita para apreciar a paisagem e perceber facilmente que estávamos bastante longe de Deli.
À chegada a Varanasi começou a saga sobre a qual já tínhamos sido prevenidos - pessoas a tentar vender-nos coisas/levar-nos a sítios/cobrar-nos dinheiro a mais pelo que quer que seja. Assim que saímos do comboio tivemos um senhor a perseguir-nos que não descansou enquanto não nos sentámos no tuk-tuk dele e depois ficou chateado por termos negociado o preço até a um ponto em que só estávamos a ser ligeiramente roubados. Daqui para a frente ganhámos alergia a pessoas que andam à nossa frente sem lhes pedirmos...
A festa mensal de Shiva enche a cidade de gente vestida de cores vibrantes, que passam o dia e a noite a rezar junto ao sagrado rio Ganges. As celebrações diárias de cremação dos mortos são hoje suspensas em todas as Ghats com a excepção de Manikarnika Ghat, até onde fomos guiados (lá está) por um rapaz que nos fez questão de levar mais ou menos contra a nossa vontade. Neste caso até lhe ficámos relativamente gratos, já que estas celebrações são a imagem de marca da cidade. Observá-las e ouvir a explicação sobre o significado daquele ritual foi uma experiência estranha - por um lado estávamos perfeitamente cientes de estar a ver corpos a arder, mas por outro a ideia de que os defuntos que participam nestas celebrações atingem o Nirvana torna-as incrivelmente pacíficas e, por estranho que pareça, felizes.
Beijos e abraços,
Ginete




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