Lembram-se do meu comentário sobre os comboios indianos, que afinal não eram tão maus como me tinham dito? Pois o nosso comboio de hoje chegou mais de três horas atrasado. Devia aprender a não falar antes do tempo, e parece-me óbvio que uma viagem é a definição de “antes do tempo”… Felizmente acabámos com um simpático casal de portugueses no beliche do lado, com quem eu mantive uma animada conversa que deixou o Ben triste e solitário no seu beliche de cima. É chato, mas estava com saudades de falar Português!
Agra é basicamente como me descreveram - o Taj Mahal e pouco mais. Lá fomos outra vez recrutados por um condutor de Tuk Tuk, que até ao fim do dia foi bastante prestável mas que, depois de nos levar aos jardins de onde se vê o Taj ao pôr-do-sol, nos levou à loja de mármores um amigo, nos tentou levar à loja de bijutarias de outro e nos cobrou claramente mais do que devia. Eu percebo que os senhores tenham de fazer dinheiro à conta de turistas como nós, mas quem olhasse para nós à saída do comboio deveria perceber imediatamente que não íamos levar um elefante de mármore em tamanho real às costas o resto da viagem…
O forte de Agra tinha uma vista engraçadota do Taj e uns jardins agradáveis, mas estava um calor insuportável e após meia hora estava mortinho para me ir embora. Felizmente começou a chuviscar, o que tornou a coisa mais suportável para o Baby Taj, construído vinte e cinco anos antes do Taj Mahal e tido como um “esboço” do mesmo. O túmulo de I'timād-ud-Daulah, pequeno apenas em comparação com o irmão mais velho, é uma visita tranquila e agradável, com uma proporção de turistas indianos para ocidentais muito maior do que esperamos encontrar no Taj Mahal, que só vamos visitar de manhã para evitar as multidões.
Já os jardins Mehtab Bagh, situados na margem do rio oposta à do Taj Mahal e construídos de propósito para proporcionar a vista perfeita para o Taj ao luar e ao pôr-do-sol, serão imperdíveis assim que os trabalhos de reconstrução estiverem completos (pelo que percebemos, por enquanto só existem no papel). Os jardins em si são geometricamente perfeitos, com um tanque octogonal desenhado para projectar o reflexo do Taj e filas de árvores aparentemente intermináveis e perfeitamente alinhadas, conferindo ao sítio um ar de calma e simetria. A vista, mesmo com nuvens a estragar a pintura, também é mais ou menos.
Antes de dormir caímos numa armadilha do Google e fomos beber um whisky a um bar que supostamente tinha uma vista surreal para o Taj. À primeira bebida forçaram-nos a ficar sentados dentro do bar por não sermos hóspedes do hotel, mas à segunda lá nos deixaram sentar no terraço. Não havia lua, por isso não havia Taj. E agora temos umas míseras três horas de sono antes de estarmos a pé para mais uma dose de túmulos brancos…
Beijos e abraços,
Ginete




No comments:
Post a Comment