O dia de hoje será porventura o que merecerá menos tempo de antena, uma vez que foi passado maioritariamente na mais violenta viagem de comboio de que me lembro - dezassete horas, com partida de Da Nang à uma da tarde de hoje e chegada prevista a Ho Chi Minh City (doravante HCMC ou Saigão, conforme me apetecer) às seis da manhã de amanhã. Este caminho de ferro, conhecido como a “Linha da Reunificação” por ter sido reaberto após a Guerra e o fim da separação entre o Norte e o Sul do país, liga Hanoi a Saigão e vem basicamente definindo a parte Vietnamita da nossa viagem.
As nossos últimos minutos em Hoi An foram passados a inalar Coconut Coffees, a segunda revelação gastronómica Vietnamita. Basicamente um milkshake de leite de côco e leite condensado sobre o qual são deitados dois shots de espresso ou café de filtro, é provavelmente a forma de café mais refrescante que já experimentei - nunca achei grande piada a Iced Lattes, que me sabem sempre a água. Enquanto que as melhores variantes foram a primeira (num café escolhido ao calhas em Hanói) e a de ontem no Espresso House (feita com excelente espresso), gostamos tanto que deixámos de ser esquisitos. Como só tínhamos meia hora antes de termos de ir para a estação, o café à frente do nosso hotel teve de servir…
Os comboios Vietnamitas são claramente mais arranjadinhos do que os Indianos, mas uma viagem até à carruagem-restaurante revela famílias inteiras a tentar dormir em bancos de madeira, que parecem desenhados com o intento de provocar dores de costas a quem se sentar neles durante mais de meia hora. Eu tinha a ideia de conseguir dormir em qualquer lado (menos em autocarros que me obriguem a amputar os membros inferiores para me poder sentar) mas, depois de ver uma criança a dormir profundamente numa posição que a mim me poria numa cadeira de rodas no dia seguinte, tenho de lhe tirar o chapéu.
Apesar de tudo, a paisagem fez com que as primeiras horas da viagem passassem relativamente rápido, com as enormes janelas dos dois lados da carruagem a permitir-nos apreciar a vista do semi-conforto das nossas camas. Quilómetros de campos trabalhados por meia dúzia de pessoas, com as montanhas cobertas de nuvens como pano de fundo, foram a motivação perfeita para passar a tarde a processar as fotografias do Sri Lanka, que se tudo correr bem verão a luz do dia mais tarde ou mais cedo - prometo avisar quando já estiver tudo em ordem!
Beijos e abraços,
Ginete



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