Ao chegarmos à casa onde ficaremos a dormir devorámos o almoço preparado pela nossa anfitriã e descansámos meia hora (que para mim foram cinco minutos, visto que passei o resto do tempo a ler o artigo da Wikipedia sobre a “Tet Offensive” na guerra do Vietname) antes de explorarmos as redondezas de bicicleta. Antes de pegarmos nas ditas tivemos de apanhar uma boleia de mota e de ferry boat, uma maneira extremamente popular de atravessar os milhares de rios que compõem o delta, onde mais uma vez oportunidades para tirar fotografias de crianças minúsculas em scooters não faltaram.
Desde as centenas de crianças a voltar a casa da escola de bicicleta às pessoas sentadas à beira da estrada, toda a gente nos saudava com um sonoro “Hello!” e um sorriso sincero. Nada do que se passava à nossa volta nos deixava estupefactos, simplesmente olhávamos com curiosidade para o dia-a-dia destas pessoas incrivelmente simpáticas. Igualmente curioso foi ouvir o nosso guia falar de como foi crescer no delta do Mekong, de como os soldados do exército Vietcong usavam templos Budistas como esconderijo e criaram uma rede de túneis para se movimentarem sem serem detectados, ou da religião Tam Giáo, que junta ensinamentos do Budismo e de duas outras religiões chinesas e cujos templos extremamente coloridos se destacam das construções simples e discretas das aldeias.
Após um pôr-do-sol que não consigo descrever com palavras e de (por ficarmos uma hora a tirar fotografias ao mesmo) voltarmos para casa de bicicleta às escuras, fomos ensinados pela nossa anfitriã a fazer Bánh Xèo, as panquecas salgadas típicas do Sul do Vietname, das quais já tínhamos ficado fãs dias antes em Da Nang. Enquanto jantávamos, e depois de se fartar de nos fazer mais panquecas (que não conseguíamos recusar, não por estarmos a ser simpáticos mas por saberem bastante bem), a senhora explicou-nos que o filho vive em Saigão e é casado com uma senhora que, apesar de Doutorada, tem um negócio de venda de leite para bébés (o que, para o Ut, não parecia fazer grande sentido).
Meia dúzia de fotografias dos seus netos e dois dedos de conversa com o Ut, acompanhados por uma lata da excelente cerveja 333, serviram para fechar o dia cedo - seguindo o horário dos locais, amanhã saímos outra vez às seis da manhã para conseguirmos ver o mercado flutuante durante a hora de ponta. Não me lembro da última vez que acordei três dias seguidos antes das seis, mas não posso negar que a paz e sossego deste sítio só me faz querer acordar às seis, sim, mas da tarde.
Beijos e abraços,
Ginete





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