O nosso dia, passado maioritariamente à procura de coisas, começou com uma grande dificuldade em encontrar o sítio onde queríamos tomar o pequeno almoço. Felizmente acabámos num excelente restaurante de hambúrgueres (na nossa última oportunidade para ingerir qualquer coisa não-Japonesa nos próximos dias) que, por se situar no décimo andar de um centro comercial, oferecia uma vista épica das montanhas que rodeiam a cidade de Osaka. O pouco tempo que passámos por cá fez-nos ficar curiosos pelas duas noites que aqui passaremos depois do Kumano Kodo trail - que continua ameaçado pelo tufão Lan, rapidamente a aproximar-se da costa leste do Japão...
À chegada a Koyasan vimo-nos com quinze minutos na mão e bastante fome no estômago, pelo que fizemos uma paragem rápida num café de um casal franco-japonês antes de fazermos o check-in em casa do senhor Takashi. Após dezenas de piadas envolvendo um programa de televisão japonês importado para o Reino Unido, de nome "Takeshi's Castle", seguimos a recomendação do nosso anfitrião e fomos até ao Okunoin - o maior cemitério do Japão, no cimo do qual, segundo a lenda, o monge Kūkai (o primeiro peregrino do Monte Kōya) se encontra em meditação desde 835, à espera da chegada do Buda do futuro.
À chegada ao mausoléu do dito monge, o Pete comentou que normalmente o caminho até um templo é mais impressionante que o templo em si. Apesar de concordar com a ideia, o sítio onde nos encontrávamos distingue-se por fugir à regra. Enquanto que o caminho é uma pequena clareira iluminada por entre um sem fim de túmulos de diversos tamanhos e importância, espalhados pela imponente floresta que só ganha carácter com a chuva que nos tem acompanhado nos últimos dias, é um sítio manifestamente terreno. O mausoléu em si tem um ar decididamente sobrenatural, especialmente ao anoitecer, com pouco mais que os sons da chuva e dos animais que nos rodeavam por companhia. As linhas serenas do edifício e os milhares de pequenas lanternas suspensas à volta das portas fechadas são uma grandiosa imagem mental, que infelizmente não pude transformar em digital, uma vez que o local era sagrado demais para tal.
O passeio de volta à cidade, com as lanternas a iluminarem o caminho molhado e escuro, foi ainda mais impressionante e um tanto ou quanto mais rápido, provavelmente devido à fome que nos assolava o espírito por esta altura. Depois de passarmos por um restaurante de sashimi que parecia bom mas bastante caro, acabámos num Yakitori de duas velhinhas extremamente fofinhas, que nos encheram o estômago de diversos Yaki (coisas grelhadas), arroz e cerveja.
No fim do jantar percebemos que o "menu especial", que custava 1000 yen e juntava uma cerveja (individualmente 550 yen) e um Yakitori (300 yen) não era um grande negócio para nós, mas à chegada da conta as dificuldades de comunicação e a simpatia das senhoras não nos deixaram grande vontade de apresentar queixa, pelo que voltámos ao castelo do Takashi para uma merecida noite de descanso, não sem antes provarmos o excelente whisky Miyagikyo que escolhemos para nos acompanhar nos próximos dias...
Beijos e abraços,
Ginete
P.S. - Até voltarmos a Osaka estou sem computador, portanto as fotografias terão de esperar. Farei os possíveis para recuperar o tempo perdido com mais celeridade do que da última vez!





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