Thursday, 26 October 2017

Dia 82 - Veados

O nosso primeiro dia de volta à civilização teve um início tão lento como o de ontem, desta vez devido à mudança do hostel J-Hoppers para a pousada Sakura, onde passaremos as nossas últimas duas noites em Osaka. O facto de estarmos determinados a encontrar o Bagels and Bagels (sítio onde tínhamos tentado, sem sucesso, tomar o pequeno almoço antes de partirmos para Koya-san) não ajudou, mas um par de Bagels e um passeio de vinte minutos depois lá deixámos as malas no nosso quarto de seis tapetes Tatami (a unidade de medida de tamanho de divisões por estes lados) e seguimos viagem para Nara.



A regressada chuva recebeu-nos de braços abertos, pelo que o passeio pelos jardins de Yoshikien foi mais cinzento do que era desejável, mas ainda assim simpático. Daí seguimos directos para o Todai-Ji, um templo que combina o maior Buda em bronze do Japão com o maior edifício de madeira do Mundo e cento e trinta quilos de ouro como a cereja no topo do bolo. A constante presença de veados (tão habituados à presença de humanos que nem nos ligavam) no caminho quase nos fez chegar atrasados à última entrada no templo, mas felizmente ainda tivemos tempo suficiente para admirar a grandeza avassaladora do mesmo.


Depois de um passeio pelo parque Nara e uma paragem rápida pela Nandaimon Gate pusemos-nos a caminho da estação, que tive de interromper dedicar meia hora a uma conversa telefónica que tinha agendada para essa hora enquanto o Pete ingeria pacientemente um smoothie de chá verde. Depois de tentarmos meia dúzia de sítios em Nara e um restaurante de okonomiyaki que nos tinham recomendado (todos eles fechados) acabámos a vaguear pela supostamente problemática área de Nishinari à procura de sítio para jantar. Enquanto que é verdade que estas foram as ruas mais sombrias que já vi neste país, a verdade é que não se comparam  algumas partes de Londres ou até às partes mais arranjadinhas de Delhi - por muito que tentasse, duvido que conseguisse sentir-me  realmente inseguro neste país, mesmo numa área famosa pela quantidade de sem-abrigo e pela influência dos Yakuza.


Depois de um jantar mediano, composto por diversas coisas fritas que sabiam todas mais ou menos ao mesmo, seguimos para a famosa área de Dotonbori, uma movimentada e bastante iluminada rua no sul da cidade que nos deixou pouco impressionados por nos parecer pouco genuína e uma versão de Picadilly Circus - um sítio atrai turistas com luzes e cores sem ter de facto nada de especial para ver. A chuva miudinha mas persistente provavelmente não ajudou, mas ficámos com a impressão de que o norte de Osaka é bastante mais interessante do que o sul.


Ao voltarmos ao hotel acabámos à conversa com outros hóspedes na área comum, um dos quais um cirurgião torácico que vive na ilha de Kumamoto e está em Osaka em trabalho. Depois de nos recomendar uma visita à “notória” área de Nishinari (que nós não fazíamos ideia ter acabado de visitar) acabou por nos perguntar a idade, pergunta que devolvemos após respondermos à dele. Se tivesse de adivinhar não lhe daria mais de trinta anos, mas na verdade o senhor tinha a módica idade de quarenta e quatro anos, o que mais uma vez verifica a minha teoria de que gente caucasiana envelhece ao dobro da velocidade do resto do Mundo. O nosso dia acabou com o excelente segundo volume de Kill Bill e com as últimas gotas do Suntory Royal 15 que tínhamos comprado em Tanabe por tuta e meia. Se se lembrarem de melhor maneira de passar um serão chuvoso avisem, mas a mim não me ocorre nenhuma…

Beijos e abraços,
Ginete

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