Friday, 27 October 2017

Dia 84 - Monte

Antes de se ir embora, faltava ao Pete fazer duas coisas essenciais - ver o monte Fuji, de longe a mais emblemática imagem de marca do país do Sol nascente, e experimentar Okonomiyaki em Osaka, visto que as deliciosas panquecas são especialidade local. Depois de alguma pesquisa descobrimos que o melhor sítio para completar o primeiro objectivo nas nossas últimas vinte e quatro horas no Japão era… um lugar à janela do lado esquerdo do Shinkansen de Osaka para Tóquio. Após mais um check-out tardio e de completarmos o segundo objectivo, numa espécie de pequeno almoço bastante tardio, apanhámos o comboio das duas e quarenta e três, que se tudo corresse bem nos daria uma inesquecível vista ao pôr-do-sol sem pagarmos mais por isso.


Apesar do cansaço acumulado ter dado azo a uma curta sesta no início da viagem, o monte Fuji não desapontou - desde os primeiros vestígios de neve visíveis ao nos aproximarmos com o sol nas nossas costas até às cores absurdas, filtradas pela típica nébula de final de tarde, os dez minutos que passámos com o espiritual vulcão activo nas nossas janelas entram directamente para a lista dos momentos desta viagem dos quais não nos esqueceremos tão cedo. Provavelmente por fazerem este percurso dia sim dia não, grande parte dos passageiros que enchiam a nossa carruagem pareciam nem reparar no que se passava à nossa esquerda ou nos dois turistas a olhar especados para uma montanha durante um quarto de hora.


A chegada à Tokyo Station lembrou-nos rapidamente de onde estávamos, com a hora de ponta a dificultar o exercício de carregarmos as nossas mochilas às costas nos comboios locais. Ainda assim, chegámos ao nosso hostel sãos e salvos, prontos para ficar acordados até o Pete ter de partir para o aeroporto, às cinco da manhã - supostamente para minimizar o jet lag, mas provavelmente só mais uma desculpa para uma noite de copos em Tóquio…


Depois de um par de cervejas num bar com bastante piada chamado Popeye Beer Club seguimos para Shibuya, para outro bar engraçado onde as prateleiras estavam mais cheias de discos de vinil do que de bebidas alcoólicas, e onde a música era irrepreensível. Dois dedos de conversa com um casal de ingleses entreteve-nos até ao último comboio, que acabou por nos deixar inesperadamente a vinte minutos a pé do hostel. Aí passámos o resto da noite, primeiro a jogar cartas e a despachar a nossa garrafa de Nikka Pure Malt e eventualmente a jogar “No More Women” (um dos nossos passatempos favoritos) com o staff do turno da noite do hostel. Às cinco da manhã, sem grandes cerimónias como mandam as nossas regras, o Pete saiu para a rua de mochila às costas, pondo fim a uma das fases mais memoráveis (ainda que também mais alcoólicas) da minha viagem.

Beijos e abraços,
Ginete

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