A aproximação ao Aeroporto International Chhatrapati Shivaji, em Mumbai, é um bom presente de boas vindas. A imagem das enormes favelas estendidas sobre montes que lidam até ao mar é marcante e faz lembrar o Rio de Janeiro, pelo menos até avistarmos os arranha-céus no centro da cidade. As primeiras impressões da cidade contrastam com essa imagem, já que as ruas são bastante mais limpas e arranjadas que Delhi - mas ao mesmo tempo com menos vida e aparente interesse que a capital.
O tempo húmido mas sem chuva à chegada fez com que nos apressássemos a explorar as atracções ao ar livre da cidade, uma vez que a previsão meteorológica não é famosa para os próximos dias. Um passeio tranquilo pelo Marine Drive, um paredão ao longo do mar que oferece vários pontos de vista diferentes sobre o “skyline” da cidade, e uma visita aos Jardins Suspensos, repletos de famílias devido à celebração associada ao deus Hindu Ganesha, foi o possível antes de começar a chover. Aí fizemos o que qualquer turista experiente faz nessa situação - abrigamo-nos noutro centro comercial que poderia perfeitamente estar no meio de Londres ou Lisboa, tal as semelhanças com os seus equivalentes ocidentais.
Depois de nos fartarmos de dar voltas pela Zara cá do sítio fomos dar uma vista de olhos a Gateway of India, um monumento construído pelos britânicos para sinalizar o ponto de entrada oficial dos seus dignatários. Tal como os Jardins Suspensos, o principal ponto turístico de Mumbai estava repleto de famílias que olhavam para nós como se fossemos uma espécie estranha. Daí até uma torrente de pedidos para tirarmos fotografias ou selfies com eles e os amigos e as famílias foi um saltinho. A situação chegou a um ponto em que tivemos de fugir, uma vez que as pessoas já nem pediam licença e simplesmente nos informavam sobre o que estava prestes a acontecer. O ponto alto foi uma senhora que insistiu que tirássemos fotografias com ela e com os filhos em três ocasiões diferentes, envergonhando as duas filhas adolescentes como qualquer boa mãe em qualquer parte do Mundo. Apesar dos nossos cinco minutos de fama em Mumbai terem sido uma experiência interessante, não nos fez ficar com inveja das pessoas realmente famosas…
Para terminar o dia em grande dirigimo-nos ao National Sports Club of India para assistirmos a dois jogos da Pro Kabaddi League. “E o que é o Kabaddi?”, pergunta o leitor. Ora o Kabaddi é uma espécie de jogo do mata sem bola, em que as equipas enviam (à vez) um “raider” para a metade do campo da equipa adversária, com o intuito de tocar num jogador da mesma e voltar para a sua metade do campo, tudo isto enquanto profere a palavra “Kabaddi” repetidamente em voz alta. Em caso de sucesso, a equipa do “raider” ganha um ponto e o jogador tocado sai de campo. Caso a equipa defensiva consiga placar o “raider” adversário antes de este chegar à outra metade do campo, ganha ela o ponto e um jogador a mais.
A primeira vez que ouvi falar deste desporto foi em Inglaterra, onde nos rimos à conta de vídeos de YouTube da versão de campo do mesmo e do facto de a Índia ter vencido todas as edições até à data do Campeonato do Mundo das duas variantes da modalidade. O público animou substancialmente no segundo jogo, entre a equipa local e a da capital, que acabou com uma remontada falhada dos UMumba, que reduziram a uma desvantagem de cinco pontos a apenas um nos momentos finais do jogo. À primeira vista, este desporto parece ser apenas uma desculpa para juntar num pavilhão catorze homens a agarrarem-se uns aos outros. Depois de assistir a dois jogos e compreender vagamente as regras do jogo, a complexidade técnico-tática do desporto não consegue esconder o facto de este ser, de facto, uma desculpa para juntar num pavilhão catorze homens a agarrarem-se uns aos outros.
Beijos e abraços,
Ginete




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