Depois do cansaço que atrasou início do dia de ontem fomos espertos e decidimos elevar a fasquia ao sair outra vez até às cinco da manhã e acordar às onze para um “walking tour” de Little India que estávamos convencidos que existia, apesar de ninguém se lembrar exactamente onde tínhamos obtido essa informação. Claro está, quando chegou a hora ninguém (nem o Google) fazia ideia de onde começava, pelo que acabámos por vaguear pela parte indiana da cidade por nossa conta. Depois de o Tom e o Amar aproveitarem para arranjar e desbloquear os respectivos telemóveis percorremos os mercados e as arcadas repletas de flores e roupas coloridas, onde a cada olhar éramos interpelados pelos comerciantes desesperados por nos terem como clientes - ainda que bastante menos agressivos do que na Índia a sério, vou confessar que já tinha saudades.
O passo seguinte, que também já não acontecia há tempo demais, foi o Ginete conduzir o grupo inteiro num passeio de meia hora até o clube recreativo cá do sítio, onde o Google Maps me garantia existir o restaurante recomendado pela amiga da Catarina. Felizmente o senhor da recepção deu-nos indicações decentes para o restaurante e, depois de mais quinze minutos a vaguear sob o simpático calor Singapurense, lá encontrámos o Maraj, que nos serviu um apetitoso almoço indiano.
Apesar de a recomendação especificar “comer butter chicken no Maraj” ninguém se lembrou de fazer tal escolha, mas para sobremesa seguimos outra recomendação - a de Milo Dinossaurs, uma solução saturada de leite com chocolate, feita quente antes de ser adicionado gelo, sobre o qual são depositadas mais duas colheres de sopa de chocolate em pó para lhe conferir toda uma textura arenosa e garantir que o valor calórico entra facilmente na casa dos milhares de calorias. Apesar de o pico de açúcar nos ter deixado ainda mais cansados do que já estávamos, todos os que participaram nesta experiência concordaram que valeu a pena.
Para repor os nossos níveis de energia e, ao mesmo tempo, satisfazer os desejos dos fãs de Friends entre nós fomos ao Central Perk, um café temático da série americana cuja única sucursal fora dos Estados Unidos é em Singapura. O que era para ser uma visita rápida tornou-se numa estadia prolongada, uma vez que o café era bom e os sofás, virados para um ecrã onde eram projectados episódios da série, aparentavam possuir um campo magnético que, durante horas, nos impediu qualquer movimento. Apesar de turístico por defeito, o sítio tem a sua piada e foi o remédio perfeito para o nosso cansaço acumulado.
A terceira sessão de treinos livres foi mais do mesmo, com o Max Verstappen a fazer o melhor tempo e a prometer um bom resultado na Qualificação. Entre as duas sessões aproveitámos o facto de a entrada para o Singapore Flyer ser gratuita e fomos dar uma volta enquanto a Ana e a Catarina assistiam ao concerto da Ariana Grande no palco Padang. A vista da roda gigante não desapontou, especialmente incrível enquanto os carros (não de Fórmula Um, mas da Porsche Carrera Cup) estão em pista durante a noite, o que depois de experimentarmos vários pontos de vista do Skyline da cidade nos últimos dias não nos deixou propriamente surpreendidos.
Depois de ver a Red Bull dominar todas as sessões de treinos livres até esse ponto, os segundo e terceiro lugares na qualificação deixaram-nos ligeiramente desapontados, mas ainda assim com esperanças de que um bom arranque do Max seja o suficiente para ultrapassar o Sebastian Vettel (que tem mais a perder por estar na luta pelo título) na travagem para a primeira curva. Ver os carros a dar tudo nas duas últimas curvas foi provavelmente o ponto alto do fim-de-semana, com os arranha-céus iluminados como pano de fundo e o Flyer sobre as nossas cabeças a completar uma pintura surreal.
O nosso cansaço, que creio já ter mencionado uma ou duas vezes, ainda nos permitiu comer qualquer coisa em Clarke Quay enquanto víamos o jogo entre o Tottenham e o Swansea, mas a nossa energia já não chegou para acabarmos as cinquenta “chicken wings” que pedimos para cinco pessoas. Pela primeira vez nesta viagem fomos para casa relativamente cedo e sem dançar uma só vez ao som de Despacito. Por milhentas razões, nem todas relacionadas com o tão fartinhos que estamos do senhor Luis Fonsi, estávamos a precisar…
Beijos e abraços,
Ginete






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