Um conselho de amigo - se tiverem uma viagem de quatro horas de autocarro até um barco no qual vão passar as próximas quarenta e oito, não passem a noite anterior a beber Whiskys de euro e meio em discotecas Hanioanas de ar duvidoso. A viagem de autocarro será dolorosa, especialmente se os senhores se lembrarem de manter o ar condicionado no mínimo quando estão trinta e cinco graus lá fora e o espaço entre bancos for desenhado para uma espécie alternativa de seres humanos que não possuem membros inferiores mas sim o poder da flutuação. Depois não digam que não foram avisados.
À chegada a Bai Tu Long Bay conhecemos os nossos companheiros de viagem, provenientes dos mais variados sítios, desde o Líbano à Indonésia, passando por nações mais familiares como o Reino Unido ou a Alemanha. Hùng, o nosso guia, explicou-nos o significado do nome da baía (traduzindo literalmente, "cem dragões bébés") com a lenda da dragão mãe chamada pelo Imperador para combater os invasores que, após aterrar em Halong Bay e dar uma tareia aos maus, deixou para trás cem ovos ates de subir aos céus. As resultantes crias ficaram então representadas pelas famosas formações rochosas, que tornam esta paisagem única no Mundo. Como tínhamos a bordo um casal praticante de AcroYoga (que não sabia que era uma coisa até hoje) a dita paisagem tornou-se ainda mais única com a adição de uma catraia a fazer de super-homem.
Sem termos visitado Halong Bay para podermos comparar as duas, tanto o Ben como eu ficámos satisfeitos com a nossa decisão, não só porque passámos a tarde a olhar especados para o que nos rodeava mas também por termos a baía basicamente só para nós. O passeio de canoa teve a sua piada, apesar de termos demorado bastante tempo a dominar a técnica necessária para mantermos a trajectória pretendida, levando a vários quase-acidentes que foram evitados mais por sorte do que por ciência. O mergulho na baía serviu para desfazer as teias de aranha que já se acumulavam nos meus braços e, se o Hùng não nos tivesse obrigado a voltar ao barco, tínhamos ficado por ali até o sol se pôr...
A ilha de Van Don acolhe-nos esta noite, e depois de meia hora para tomarmos um duche e mudarmos de roupa aprendemos a fazer spring rolls, um trabalho de equipa que nos entreteve até ao jantar ser servido, quando todos estávamos com um apetite bastante desenvolvido. A conversa durante e depois do jantar, acompanhada pela agradável e estupidamente barata cerveja Hà Nội, cobriu tópicos tão variados como o colonialismo, literatura Portuguesa do final do século XX ou o sistema de saúde Britânico, e apesar de virmos de realidades bastante diferentes ninguém se chateou. À primeira vista até parece que pessoas de sítios diferentes podem discutir temas complicados sem desatarem ao estalo, mas o resto do Mundo à volta da pacata ilha de Van Don parece discordar...
Beijos e abraços,
Ginete



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