Thursday, 12 October 2017

Dia 70 - Contraste

O último dia antes de o Pete chegar foi muito semelhante ao anterior, começando num café simpático no meio de uma área residencial onde tomei o pequeno almoço e tratei de reservas para a última semana da minha viagem, onde voltarei ao Vietname. Apesar de os empregados falarem um inglês bastante aceitável (o que é raro por estes lados) eu era o único estrangeiro no Mojo Coffeehouse, claramente um sítio bastante popular para encontros profissionais.


Na hora e pouco em que estive sentado ao computador assisti por duas vezes à cerimónia de entrega de cartões de visita, que acontece em cada reunião de trabalho entre dois desconhecidos. Reforçando a ideia que o Japão é o país mais diferente que já visitei - no sentido em que, não sendo muito mais ou menos desenvolvido do que o sítio onde vivo, é fascinantemente estranho - não admira que haja vários casos de choque entre as culturas profissionais ocidental e Japonesa.


O resto do dia foi passado a vaguear pelos serenos jardins do Palácio Imperial (o palácio em si é fechado ao público), que mostram uma dicotomia perfeita entre a antiga Edo e a moderna Tóquio. Apesar de só restarem as fundações do castelo de Edo, é ainda assim fascinante subir às mesmas e observar os imponentes arranha-céus que cercam estes jardins com mais de quinhentos anos de história. O fascínio continua no caminho até à Tokyo Station, construída no início do século vinte e agora imersa num mar de edifícios de vidro do final do mesmo, uma metáfora perfeita que descreve numa imagem quanto o Mundo mudou em menos de cem anos.


O resto da tarde foi passada à procura de uma objectiva para a minha máquina fotográfica, que acabei por encontrar a bom preço perto do hostel depois de várias visitas a lojas de máquinas usadas onde o meu Pai facilmente passaria horas e de onde sairia de bolsos vazios. Assim que o Pete chegou, e por estarmos os dois a morrer de fome, aventurámos-nos debaixo da chuva até ao edifício onde se situa o restaurante onde tínhamos planeado jantar. Depois de dez minutos à procura do raio do elevador que nos levaria ao oitavo andar (visto que os armazéns que ocupam grande parte do edifício já estavam fechados) lá o encontrámos, escondido no meio da estação de metro.


O conceito do restaurante é simples - os pedidos são feitos num iPad (felizmente com menus numa espécie de Inglês) e os pratos chegam num comboio que percorre o bar. Apesar desta geringonça os preços são bastante razoáveis, ao contrário do Beersaurus - o bar onde fomos a seguir, supostamente inspirado simpáticas criaturas extintas mas, na realidade, simplesmente usando meia dúzia de bonecos como desculpa para cobrar preços exorbitantes por um copo de cerveja.


O dia terminou no nosso hostel com uma sessão de marcação de alojamento para o resto da viagem, com o ponto alto a ser o Airbnb que marcámos numa ilha perto de Naoshima, cuja descrição avisa que se estiver nevoeiro é possível que não haja barco, e que a casa não é limpa porque é antiga. Não sei se é a ressaca da viagem de táxi até Yangon a incutir em mim um claro excesso de confiança, mas acredito que vá correr tudo bem…

Beijos e abraços,
Ginete

No comments:

Post a Comment