Saturday, 14 October 2017

Dia 72 - Frágil

A sensação de acordar numa cama estranha depois de uma noite de copos é (dizem-me, nunca me aconteceu) já de si deveras confusa. Ser acordado por um senhor japonês que nos entra pelo quarto adentro a dizer que temos dez minutos para nos pormos na rua fez-me precisar de profunda reflexão para me lembrar de quem era, onde estava e que aquilo não era um episódio do Samurai X. Uma curta negociação levou os dez minutos a meia hora, e uma hora e cinco minutos depois estávamos de mochila às costas a caminho da estação de Shinjuku.


A primeira refeição do dia (mais um almoço do que outra coisa) fez-nos imediatamente sentir bastante mais humanos, mas ainda assim senti que precisava da mágica combinação de gordura e açúcar oferecida por um gelado de chá verde. Ao fazer o pedido numa gelataria ali perto a rapariga que me atendeu perguntou-me se era a minha primeira vez naquele estabelecimento, e ao responder afirmativamente todas as empregadas se juntaram para me cantar uma alegre melodia, o que me fez sentir ao mesmo tempo pasmado e observado e decididamente não ajudou a aliviar a minha profunda dor de cabeça. Outra canção surgiu após deixar uma pequena gorjeta (que, descobri depois, não é comum por estes lados), mas o gelado foi precisamente o que estava a precisar para melhorar o meu estado de espírito.


O nosso comboio-bala partiu da Tokyo Station, que o Pete teve dez minutos para apreciar antes de irmos para a nossa plataforma. As primeiras duas horas de viagem passaram a correr, provavelmente por estar a dormir profundamente, mas a terceira hora brindou-nos com um bonito pôr-do-sol e a chegada a Kyoto deu-se sem percalços. Esfomeados e com o Pete a admitir que desde o dia que chegou que não parava de pensar em Sushi, encontrámos um restaurante de tapete rolante onde rapidamente recuperámos os níveis de energia e nutrição enquanto nos ríamos sobre estórias esquecidas da noite anterior.


No regresso a casa decidimos dar um passeio pela famosa rua de Pontocho, que foi interrompido ao descobrirmos um bar de Jazz e Whisky, onde apreciámos uma hora de música ao vivo enquanto saboreávamos dois excelentes Whiskys japoneses - nada melhor para curar uma ressaca, certo? Na verdade, a combinação do Jazz, do Yoichi e da conversa como o Pete foi a maneira perfeita para terminar um daqueles dias raros em que o meu estado de espírito melhorou progressivamente do princípio ao fim.

Beijos e abraços,
Ginete

1 comment: